Meu agasalho
é meio litro de cachaça
no amigo meio fio
meu corpo deitado
inimigo frio que racha
Aqueço meu corpo
esqueço meu passado
derreto meu caixão corpo de gelo
com salivas de um destilado
Tanta gente facilmente morre
não consigo morrer
vivo pelo alcool abraçado
nessa vala urbana
lembrando do dia
que fui uma coisa humana
Abraço, agarro meu agasalho
engarrafado que me acalma
e num sorriso ébrio
forçado
fico esperando o carnaval
da minha alma.
sábado, 20 de junho de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
Fragmentos e obviedades
Não existe verdade na natureza e , por isso, não existe ilusão. O erro só vive enquanto respira a vontade do acerto.
Só as árvores e pedras não mentem, a música é a mentira que me faz chorar, a poesia é a mentira que me faz sonhar mentiras. Mas hoje eu vou escapar disso tudo inventando uma grande verdade que possibilite abrir a porta da minha condicionada sensibilidade para o nada e vou caminhar entre vocês, meus amigos, com olhos de pedido de perdão, porque toda minha pretensa superioridade sempre foi uma concha vazia e vou respeitar apenas minha respiração que é meu único ato espontâneo e quando ele cessar eu nunca vou ter existido, só minhas mentiras terão.
A felicidade não consiste em ser feliz, mas sim ter a capacidade de pensar a felicidade. Ver um céu límpido e azul pode significar apenas isso, vê-lo, mas pensar em um céu límpido e azul é poder vivencia-lo além da simples imagem, é construir através da imagem diversas sensações.
Não me basta mais as rosas que não conheço, minha indolência pelas flores é apenas fruto do meu ódio pelo concreto urbano que sou.
Só as árvores e pedras não mentem, a música é a mentira que me faz chorar, a poesia é a mentira que me faz sonhar mentiras. Mas hoje eu vou escapar disso tudo inventando uma grande verdade que possibilite abrir a porta da minha condicionada sensibilidade para o nada e vou caminhar entre vocês, meus amigos, com olhos de pedido de perdão, porque toda minha pretensa superioridade sempre foi uma concha vazia e vou respeitar apenas minha respiração que é meu único ato espontâneo e quando ele cessar eu nunca vou ter existido, só minhas mentiras terão.
A felicidade não consiste em ser feliz, mas sim ter a capacidade de pensar a felicidade. Ver um céu límpido e azul pode significar apenas isso, vê-lo, mas pensar em um céu límpido e azul é poder vivencia-lo além da simples imagem, é construir através da imagem diversas sensações.
Não me basta mais as rosas que não conheço, minha indolência pelas flores é apenas fruto do meu ódio pelo concreto urbano que sou.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Paraíso quadrado
Estou contentíssimo. Depois de 22 anos sem nenhuma sombra de deus em minhas humildes metafísicas, descobri pelo menos onde podemos achar algo parecido com um paraíso bíblico e confortar nossos corações. Embora eu ainda não tenha muita certeza qual é o caminho que se deva trilhar para arrumar pelo menos um cantinho nesse neo éden e, tenho lá minhas dúvidas que esse novo Jardim das Delicias tenha qualquer coisa parecida com a árvore do conhecimento, ainda sim nos faz sonhar com uma vida plena e uma alma repleta de bem estar. Mas o paraíso de que falo esta mais perto do que se imagina, provávelmente em seu quarto, indubitávelmente na sua sala. O segredo esta na sua televisão, mais precisamente nos intervalos comerciais, a propaganda, a publicidade e, dizendo de uma forma mais eloquente, em Anúncios comerciais, ali se encontra o paraiso aqui e agora, desde que se tenha muita fé e não menos dinheiro. E tanta gente perdendo tempo com mantras e religiões. Portanto, a partir de agora, atente para as belezas filosóficas do comerciais de instituições financeiras, perceba a fortaleza que é o sorriso (inspirado num acionista do banco) de um personagem que ilustra o discurso de como se ter uma passagem sem preocupações, mais confortável que um colo de mãe. E aquela familia reunida no café da manhã com extremo bom humor? Que lição mais linda e quantos valores morais aprendemos comprando um simples pote de margarina. E você pensando se tratar de uma familia budista... Ali, até as crianças já estão evoluídas, acordam sempre com cara de domingo de sol. Sim, me desculpem, o paraíso televiso dos anuncios são sempre a manhã de um domingo de sol e, se você não é muito íntimo do sol meu amigo, sinto muito, desligue seu aparelho, o limbo social te espera. E caso você esteja se sentindo velho concentre-se nos comercias de telefonia celular, sinta-se jovem e dê piruetas, dance, corra e tenha nas mãos algo que vai te dar um atributo divino, a onipresença, sinta se um deus e fale com deus e o mundo. Claro, uma pessoa sem fé, um ser herético que não compartilha da celebração dos cultos publicitários pode questionar os beneficios das propagandas de cervejas e duvidar da beleza divina de corpos femininos e homens com cara de bobo que esse magistral evangelho moderno nos proporciona, sem sequer notar que se trata apenas da manifestação de caridade para aquelas pessoas que são mais introspectivas e também rompendo com preconceitos de estética, pois o alcool transcende suas idéias para enxergar apenas a beleza interior das pessoas.
Portanto, podemos encontrar sabedoria para afastarmos de nós qualquer crise de indentidade, basta ligarmos a tv e desejarmos, nossa oração agora se resume apenas a "eu quero ter isso" e "eu quero ser assim" pois somente assim aplacaremos a ira da nossa vaidade e a inveja dos nosso vizinhos e parentes, só a mentira nos redime.
Portanto, podemos encontrar sabedoria para afastarmos de nós qualquer crise de indentidade, basta ligarmos a tv e desejarmos, nossa oração agora se resume apenas a "eu quero ter isso" e "eu quero ser assim" pois somente assim aplacaremos a ira da nossa vaidade e a inveja dos nosso vizinhos e parentes, só a mentira nos redime.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Amor
O amor perfeito não existe
em palavras,
apenas nos aproximamos
dele com poesias e jardins
O amor perfeito é a exclusão
de todos egoísmos e vaidades,
É deixar de ser...
É o sorriso de um olhar,
a paisagem de palavras silenciosas
guardadas dentro do mundo
Amor sem razão não existe,
é a vontade sem desejo de existir
O amor respira, pulsa
É um dicionário de sentimentos
que voam entre o
sentir e o pensar
O amor não acaba,
mas se renova e
só é perfeito porque
nada é perfeito e o
amor é tudo.
em palavras,
apenas nos aproximamos
dele com poesias e jardins
O amor perfeito é a exclusão
de todos egoísmos e vaidades,
É deixar de ser...
É o sorriso de um olhar,
a paisagem de palavras silenciosas
guardadas dentro do mundo
Amor sem razão não existe,
é a vontade sem desejo de existir
O amor respira, pulsa
É um dicionário de sentimentos
que voam entre o
sentir e o pensar
O amor não acaba,
mas se renova e
só é perfeito porque
nada é perfeito e o
amor é tudo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
"Nós"
Ah! queridas classes artísticas... sempre nos brindando com a falsa modéstia. Quatro horas da manhã de um sábado numa insalubre padaria da cidade, uma mesa formada em sua maioria por profissionais da música e a resposta de uma pergunta ingênua vem montada na cavalaria disfarçada no pronome "nós". O que não é, obviamente, um privilégio dos músicos e muito menos de artistas em geral. O "Nós músicos", "Nós advogados", "Nós poetas", etc, essa maneira autoproclamada porta-voz de se referir a sua profissão surge de qualquer coisa, desde um clubinho do bairro ou até, atualmente motivo de orgulho, da opção sexual das pessoas. Mas quando nasce da boca de alguém da "classe artistica", seja de músicos, artistas plasticos, cineastas, atores, escritores, etc, acompanha sempre uma intrigante afetação para se colocar num patamar mais elevado do que o do interlocutor. Mas claro, o "nós" serve apenas pra destilar vaidades genéricas e principalmente para defender-se de possivéis críticas, os elogios são normalmentes absorvidos de forma individual. E até aonde se espera pessoas mais esclarecidas, deixa-se de ser o que é para se transformar inteiramente naquilo que se faz. Nada contra pessoas visceralmentes apaixonadas pelos seus oficíos, desde que não julgue os outros como néscios por não fazerem daquilo o seu caminho, o seu sustento, e se transformar assim num tolo especialista de sua arte. O tal pronome nesses discursos serve para se pretender portador de um conhecimento especial e elevado e excluir ou pelo menos superficializar outros tipos de conhecimento, normalmente o de quem estiver mais próximo. Essa postura de "você não sabe o que sei porque não faz o que faço" além de ser um tanto egocêntrica reduz ela a um monólogo estéril, que cabe bem apenas em palestras e discursos ou nas palavras de um sábio na montanha e não para quem busca apenas uma conversa agradável. Não sei se isso é uma mania e, quero acreditar que se trata de uma minoria que mais fala do que produz.
Sábado, meia hora depois, a padaria, lugar que não se corre o risco de ouvir "Nós padeiros" continua sua indiferença pelos mortais de toda sorte que estacionaram por ali, para uma última dose, uma ultima conversa ou um primeiro café. Depois de ouvir "nós musicos vivemos música 24 por dia" agradeço a minha modorra que me exclui de qualquer possivel "nós", principalmente porque preciso dormir pelo menos oito horas por dia.
Sábado, meia hora depois, a padaria, lugar que não se corre o risco de ouvir "Nós padeiros" continua sua indiferença pelos mortais de toda sorte que estacionaram por ali, para uma última dose, uma ultima conversa ou um primeiro café. Depois de ouvir "nós musicos vivemos música 24 por dia" agradeço a minha modorra que me exclui de qualquer possivel "nós", principalmente porque preciso dormir pelo menos oito horas por dia.
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